Episode Transcript
[00:00:06] Speaker A: Bem-vindos ao Smart in the City, o podcast do Babbel onde trazemos os melhores atores da arena da cidade inteligente, espalhando diálogos e interações em torno dos ativistas e temas mais prevalentes para os cidadãos de hoje e as gerações de amanhã. Eu sou sua apoiadora, Tamlin Shimizu, e espero que você goste deste episódio e ganhe conhecimento e conexões para acelerar o mudando para uma vida mais urbana.
Smart in the City é trazido para vocês pela Babel Smart Cities.
Nós possibilitamos processos de pesquisa e desenvolvimento estratégico para cocriação e implementação. Para saber mais sobre nós, por favor visite a plataforma Babel na babel-smartcities.eu.
Bem-vindos de volta a outro episódio de Smart in the City. Este é um episódio especial que será feito em português pelo meu colega Jorge, que trabalha como advogado de cidade inteligente no Bavel. Queremos alcançar pessoas de diferentes regiões, então não se surpreendam quando você ver diferentes línguas aparecendo. Sem mais delongas, eu dou o microfone ao Jorge.
[00:01:05] Speaker B: Bem-vindos ao Smart in the City.
Eu sou o Jorge Coelho, o vosso anfitrião para este episódio em que português é terceiro.
Hoje estamos sentados no dia seguinte ao Fórum da Liderança e Inovação Urbana, em Istambul, num lugar inspirador para ver como a transformação digital se está a cruzar também com os tópicos climáticos.
Hoje estamos a dedicar algum tempo ao clima e ao ambiente.
Sem mais demoras, gostaria de apresentar Dalila Sepúlveda, Diretora do Ambiente e Sustentabilidade do Município de Guimarães, naturalmente em Portugal. Temos aqui um pequeno teaser, que é habitual nos outros podcasts também.
Colocamos aqui uma pergunta, um desafio aqui à Dalila.
Se Guimarães fosse um animal, que animal seria e porquê?
[00:01:56] Speaker C: Escolher só um animal para guimarães é difícil, porque guimarães têm muitas alterações, mas eu diria que seria uma abelha.
uma abelha porque poliniza e consegue replicar a sua polinização em todo lado. E é essa a ideia que nós queremos de Guimarães, que seja um foco de experimentação e depois de replicação. Por isso eu diria mesmo que era uma abelha.
[00:02:24] Speaker B: Boa. Portanto imagino uma abelha que vai além do município, não é? Certo, certo.
[00:02:28] Speaker C: Para lá.
[00:02:29] Speaker B: Muito bem.
[00:02:30] Speaker C: Mas que dura mais que uma abalho.
[00:02:34] Speaker B: Sim, é uma comunidade. É uma boa ideia. Muito bem, então agora um pouco sobre si. Qual é que é a sua formação e o que levou ao seu papel atual?
[00:02:47] Speaker C: Eu sou... eu iniciei os meus estudos como engenheira de ambiente já há muitos anos. Há mais de 25. Depois acabei por ingressar no município de Guimarães em 1999. Faz agora 25 anos.
E achei que em 2013 que necessitava de ter mais conhecimento e fui tirar mestrado também em Engenharia e Gestão Ambiental.
E em 2017 iniciei o doutoramento na Universidade do Minho em Gestão e Tratamento de Resíduos, porque essa era a área sempre que eu gostava muito de trabalhar.
Acabei o primeiro ano, acabei os estudos avançados e neste momento estou a ingressar outra vez para acabar a tese, já que tenho mesmo que acabar.
[00:03:41] Speaker B: Boa.
Muito bem. Então, em 99 foi aquele ano ali antes da capital do Porto, não é?
[00:03:48] Speaker C: Sim, em 99 o Porto foi capital europeia da cultura em 2001. e nós fomos Património da Humanidade, Guimarães foi considerado Património da Humanidade em 2001. Por isso, de facto, eu entrei para o município de Guimarães numa fase de mudanças grandes, quer ao nível da cultura, quer ao nível, depois, depois Guimarães foi em 2012 Capital Europeia da Cultura, depois foi Cidade Europeia do Desporto e temos tido vários prémios e distinções, por isso eu costumo dizer que vou trabalhar todos os dias bem disposta.
[00:04:20] Speaker B: Então foi uma abelha que está a correr bem.
[00:04:22] Speaker C: Exatamente, exatamente.
[00:04:25] Speaker B: Muito bem, para aqueles que não estão ainda formalizados, pode dar-nos a conhecer uma visão geral do percurso ambiental de Guimarães até à data?
E também quais são os principais desafios e oportunidades neste domínio à medida que se aproxima desta distinção espetacular para o país, a capital verde europeia de 2025?
[00:04:45] Speaker C: Guimarães iniciou cedo, Guimarães foi dos primeiros municípios a ter engenheiros do ambiente logo em 99, não era muito comum haver engenheiros do ambiente nos municípios e Guimarães apostou nessa área, mas ainda numa fase que tinha outras preocupações, nomeadamente o património da humanidade e mesmo a cultura, que eram as bases mais fortes da política pública do município. Entretanto, em 2013, quando o presidente da Câmara atual, Dr. Domingos Bragança, assumiu a Câmara Municipal, colocou a política da sustentabilidade como o eixo principal da sua atuação.
A partir daí foi uma aceleração de processos, foi ter um conhecimento de onde estávamos e aí pedimos ao Universidade do Minho para nos fazer uma análise, um plano de sustentabilidade, um masterplan para percebermos onde estávamos e aí o senhor Presidente da Câmara também disse sempre que gostaria de concorrer ao título de Capital Verde Europeia gostaria de ganhar, todos nós gostamos e em Guimarães nós gostamos também de ganhar, mas que nem era essa a sua maior condição nem preocupação. A preocupação era o caminho que tínhamos que percorrer para percebermos dentro dos indicadores da capital verde europeia onde é que também nós estávamos e onde é que teríamos que estar para conseguirmos ser capital verde europeia. Em 2013 é de facto uma mudança de paradigma no município de Guimarães, na Câmara Municipal, com a sustentabilidade e posteriormente a ação climática como os dois polos principais da atuação.
[00:06:33] Speaker B: Muito bem.
Realmente é um período grande e aconteceu muita coisa seguramente, mas me perguntamos qual é que terá sido, se há algum projeto especial que se orgulhe em particular e que tenha tido um impacto significativo e que lições é que tiraram daí?
[00:06:53] Speaker C: Em 2013, de 2013 até agora são 12 anos, mas há um projeto que o município criou que é de facto a grande alteração para o território e para a comunidade que foi a criação do Laboratório da Paisagem. Em 2014 foi inaugurado o Laboratório da Paisagem que é uma associação sem fins lucrativos em que o município tem uma posição dominante, ou seja, tem três pessoas no Conselho Diretivo e depois a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes têm cada uma delas mais um elemento. Isto foi para quê? Para associar a academia, a ciência, também ao município, ou seja, dotar todos os nossos projetos com uma forte componente científica que também ajuda e apoia a decisão.
Este laboratório da paisagem, criado em 2014, fez agora 10 anos e nestes 10 anos revolucionou o papel da comunidade da investigação e da sensibilização.
Neste momento, e desde 2015 que foi criado o programa Pegadas, que é um programa de educação ambiental nas escolas, em que por ano agora já fazemos cerca de 800 atividades diferentes em todas as escolas. Nós temos cerca de 95 escolas, de Real Sarquimarens é um município com muitas freguesias, nós temos 48 freguesias e temos imensas escolas, temos 95 escolas e temos uma equipa no Laboratório da Paisagem com técnicos dedicados à educação ambiental. A educação ambiental, à investigação, à investigação das linhas de água, Há a investigação da poluição das linhas de água, há a economia circular, há a natureza e a biodiversidade, há a ação climática também e também há uma área que é recente e também muito importante que é a análise financeira e jurídica das próprias candidaturas e funcionamento. É praticamente uma empresa, não é bem uma empresa mas é um laboratório do município de Guimarães, em que o município aposta fortemente na sua...
E consegue manter ali um foco. É, na sua gestão. Nós começamos com 13 investigadores e neste momento já temos 22 investigadores.
Eu sou vice-presidente também do Laboratório da Paisagem, foi uma...
foi uma determinação do município de Guimarães em 2016 que eu passasse também a ser vice-presidente para haver e a minha vereadora, a doutora Sofia Ferreira é outra vice-presidente e depois temos a doutora Adelina que tem a área de educação que é presidente do Laboratório da Paisagem. Ou seja, criar um elo de ligação entre o município e o Laboratório da Paisagem quer político, quer técnico muito forte. Esse para mim foi o grande desafio, foi o grande foi a alteração.
Juntamente com o Laboratório da Paisagem foi criada a estrutura de missão Guimarães 2030. que é um ecossistema de governança que envolve mais de 400 instituições. E este é outro dos passos que foi possível dar para alcançarmos este objetivo, que foi a ligação da academia, das escolas, do cidadão, das juntas de freguesia.
[00:10:17] Speaker B: Criar uma coesão à volta da comunidade.
[00:10:19] Speaker C: Certo.
[00:10:19] Speaker B: E com conhecimento.
[00:10:21] Speaker C: Exatamente.
[00:10:22] Speaker B: E tem alguma relação com a Convenção da Paisagem? Não, não, não. Ok. Porque também essa vai fazer aí um aniversário. Muito bem. E relativamente à ação climática, esta requer aqui naturalmente uma adesão à comunidade e pronto, com isso o que fizeram está diretamente relacionado, claro.
Mas que estratégias têm sido mais eficazes para envolver precisamente os residentes, as empresas, nas iniciativas ecológicas de Guimarães?
[00:10:52] Speaker C: Todos os nossos planos são feitos, o que a lei diz é que os planos e os regulamentos municipais devem ter participação pública. Mas a participação pública a maior parte das vezes é apenas a abertura da consulta pública para para os cidadãos e as instituições poderem contribuir. Nós tentamos fazer diferente. Tentamos fazer que os planos sejam feitos em cocriação com a população. Criamos workshops, criamos momentos com as várias forças, quer forças de segurança, muitas vezes, os diferentes atores locais que se juntam para determinar quais são os objetivos daquele plano e quais são as ações primordiais. E depois os técnicos, sim, fazem essa alteração.
A ação climática em Guimarães levou também um boom.
Nós candidatámonos a ser uma das 100 cidades neutras climaticamente até 2030 e conseguimos essa distinção em 2021. 2021 e 2022. Conseguimos ser uma das 10 cidades com vista à naturalidade climática até 2030, em Portugal juntamente com Lisboa e Porto, apesar de terem havido cerca de 22 candidaturas.
Para nós nesse momento foi uma necessidade de olhar outra vez o território, olhar as nossas emissões, olhar para onde é que vamos ter que reduzir as emissões e onde é que vamos ter que atuar climaticamente.
Percebemos que maior parte das nossas emissões em Guimarães vêm do setor privado, quer da indústria, quer da mobilidade, a logística principalmente.
E aí criamos o Pacto Climático de Guimarães, que era o que nos faltava no ecossistema de governança que tínhamos criado em 2013, e depois com a estrutura de missão ficou mais empoderado, ficou mais...
não empoderado, peço desculpa. Ficou mais fortalecido, reforçado, exatamente.
E o Pacto Climático de Guimarães foi criado para estabelecer esta conexão com o setor privado. Temos neste momento cerca de 120 empresas que assinaram e subscreveram o Pacto Climático de Guimarães, ou seja, estão estão de acordo com as políticas municipais da Câmara para a descarbonização e para a ação climática e ajudam-nos a perceber quais são também as suas dificuldades e quais são os projetos que têm e como é que eles podem descarbonizar a sua atividade.
Neste momento fazemos workshops dedicados à indústria, percebemos quais são as suas necessidades, tentamos dotar com técnicos especializados para dar resposta à indústria na sua atividade e tentamos também que que o Laboratório da Paisagem elabore planos de...
planos de pegadas... plano de...
o cálculo da pegada carbónica de cada uma dessas empresas, das que nem não têm, normalmente são mais as pequenas e médias empresas, que nós possamos ajudá-los a fazer o cálculo da pegada carbónica porque também muitas empresas não sabem... Pois desconhecem. Em que ponto é questão.
Fazemos workshops de mobilidade, workshops de energia, workshops de resíduos e economia circular e todos aqueles que também nos solicitam nós apoiamos e fazemos workshops.
Há outro setor que também estamos a trabalhar muito Neste momento, que é o setor do desporto guimarães, é conhecido, como sabem, pelo desporto. As pessoas de Guimarães adoram vitória.
[00:14:47] Speaker B: Houve lá um encontro enorme agora há pouco tempo.
[00:14:50] Speaker C: Sim, sim, sim. Nós gostamos imenso de desporto, todos os tipos de desporto. Nós temos quase todas as atividades desportivas em Guimarães, quase.
Acho que não devemos ter REM porque o Rioave ainda não permite, mas fora isso acho que já devemos ter quase todos.
E as pessoas são muito apaixonadas pelo Clube da Terra, pelo Vitória Sport Club. E uma forma de nós conseguirmos fazer uma ligação estreita à comunidade é através do desporto.
e então utilizamos o desporto como uma spread the message ou espalhar a mensagem.
Criamos com os jogadores de vitória, andamos com o mundo, é mesmo um mundo, um globo que nós temos enorme, nos calvados, com mensagens, onde estão 20 ou 30 mil pessoas no estádio e aquilo acaba por passar também.
[00:15:45] Speaker B: E as pessoas estão bem ligadas.
[00:15:46] Speaker C: Estão, estão, exatamente.
quase todos sabem que nós somos capital verde europeia até porque temos este meio de comunicação que tem sido muito forte. E também todos os outros clubes. Nós temos em Guimarães 55 clubes e estamos a fazer gratuitamente para cada um deles um plano de sustentabilidade. para que eles também diminuam os seus custos com a energia.
[00:16:12] Speaker B: E incluir depois a mobilidade e por aí fora as várias dimensões.
[00:16:15] Speaker C: Exatamente. E fazemos isso para todos os clubes. Neste momento já temos 18 planos de sustentabilidade porque os clubes também têm que ter alguém que apoie a elaboração e que consiga armazenar os dados.
E verificamos que havia uma dificuldade nos clubes em conseguir ter os dados todos para nos reportar para nós conseguirmos ajudá-los.
E criamos uma plataforma, uma plataforma que é Desporto para a Sustentabilidade, em que todos os meses a plataforma Os clubes conseguem inserir os gastos com energia, os gastos com água e isso depois vai fazer logo um cálculo muito mais prático e muito mais imediato da pegada carbónica de cada clube.
[00:17:01] Speaker B: Identificam oportunidades de financiamento para depois se calhar fazer investimentos para a otimidade?
[00:17:04] Speaker C: Sim, sim. Mesmo, por exemplo, para painéis solares. Ok. Onde é que... porque o setor privado também ainda à procura de locais para investir para... Ah, excelente. Para os painéis solares. Guimarães é o local onde há mais painéis solares de Portugal. E não em termos de dimensão de locais mas em termos de... Da quantidade de instalações. Da quantidade de instalações, exatamente.
E é por causa disso.
[00:17:32] Speaker B: Isso é excelente, gostamos de ouvir o Win-Win e nesse caso temos um Win-Win-Win.
[00:17:37] Speaker C: Sim, sim.
[00:17:39] Speaker B: Um Win no Google.
[00:17:40] Speaker C: É isso.
[00:17:40] Speaker B: Muito bem, isso é inspirador.
Vamos agora dar aqui um salto para o turismo. Sabemos que tem de facto um papel importante na economia local.
mas também sabemos que tem muitas vezes associado a um custo ambiental.
No caso deste setor, como é que estão a garantir que eles não só cumprem esse objetivo mas que até podem eventualmente ser um catalizador para a inovação, um pouco como estão a fazer com o Vitória?
[00:18:07] Speaker C: Com o desporto, exatamente.
Eu devo realçar que que esta nossa paixão pela sustentabilidade, pela ação climática acaba por passar para além dos claustros do município.
A Câmara Municipal de Guimarães tem uns claustros muito bonitos e eu costumo dizer que quando nós conseguimos chegar a mais alguém passamos os claustros.
E de facto é verdade, relativamente ao turismo Guimarães entrou agora, há cerca de 3 anos, através da Zero, da agência, da Associação Ambiental Zero, exatamente.
Eles desafiaram-nos e nós aceitamos o desafio para tentarmos ter um município certificado de zero resíduos.
pela Missão Zero Resíduos da Europa. E fomos por aí e estamos neste processo de certificação e conseguimos que termos em Guimarães o primeiro restaurante zero resíduos da Europa, em Guimarães, já com certificação de zero resíduos, que é a Cozinha, que é um restaurante que também é estrela Michelin de facto, E conseguimos ter o primeiro hotel, também certificado de zero resíduos, que é o ULV, que é no Centro Histórico. Ou seja, como é que isto acontece? Acontece através da nossa comunicação, porque nós dizíamos, nós somos o município que queremos ser certificados de zero resíduos, os estabelecimentos, principalmente a hotelaria e a restauração, Cada vez mais tem que atuar na área da sustentabilidade. Também temos muitos da Europa que conseguiram essa bandeira verde pela Abai.
E isto deve-se à comunicação, ou seja, é importante atuarmos pela diferença e a restauração.
Neste momento há muitos visitantes que já procuram os restaurantes com uma consciência ambiental, com planos de sustentabilidade, hotéis verdes.
E como é que conseguimos isso? Através também, nós andamos sempre à procura também de candidaturas e de iniciativas que nos possam ajudar a implementar os nossos projetos.
E fizemos o Green Tour, que foi uma formação para estabelecimentos hoteleiros e de restauração e dotá-los com alguma formação climática, formação de sustentabilidade, que os levou também a terem estas preocupações.
Ao mesmo tempo estamos neste momento a tentar a certificação Plerzscheck, acho eu que é assim o nome, para sermos uma cidade com turismo Verde. Sim, sim. Certificada com turismo sustentável.
É um processo em que o município se envolve através das suas políticas, ou seja, como é que está o município, mas também depois analisa como é que está a nossa hotelaria e o nosso turismo ao nível da sustentabilidade, que também é importante para nós termos dados. Exato. E também é importante para conseguirmos essa certificação de turismo sustentável, ligada à nossa história, ligada à nossa cultura, é o que nos falta.
[00:21:23] Speaker B: E depois também alimenta essa dinâmica.
[00:21:25] Speaker C: Exatamente.
[00:21:26] Speaker B: Excelente.
Muito bem, aqui em Portugal temos, quando vemos a literatura europeia e falo assim, cidades médias, se ficamos por aí e não olhamos para o número, vamos pensando nas nossas cidades ali, os 80 e tal, 90 mil, que já são umas quantas, muitas, mas na verdade temos várias cidades para cima dos 300 mil, e portanto, ponho-nos aqui num patamar em que as nossas cidades afinal não são assim tão são mais pequeninas, e Guimarães não está entre as mais pequenas, mas obviamente ao lado das cidades europeias essas médias.
Felizmente não tem aquelas populações, porque também tem esses problemas. Agora, nesse caso, como é que acha que pode se tornar como um campo de ensaio perfeito equipar as novas tecnologias e, particularmente, mesmo também nas políticas ambientais.
E se existem aqui projetos ou abordagens espaciais ou experimentais em Guimarães que depois até podem ter aqui um efeito de replicação. E pronto, já tivemos aí algumas...
[00:22:22] Speaker C: Exatamente.
[00:22:24] Speaker B: Alguns sinais.
[00:22:26] Speaker C: Guimarães é, de facto, tem 160 mil habitantes.
É uma cidade pequena, média dimensão.
pequena em relação a algumas da Europa, média em relação a Portugal, e é um território vasto, é um território com bastante tipologia, ou seja, temos uma zona urbana, temos uma zona semi-urbana, temos ainda algumas zonas rurais, ou seja, pode ser de facto um local para testar imensas soluções, quer soluções para áreas rurais, quer soluções para áreas mais urbanas, mais densas e menos densas, mais compactas e menos compactas. E todos os nossos projetos que nós implementamos em Guimarães tentamos sempre seguir uma metodologia.
e que essa metodologia possa ser replicada, quer no próprio concelho, quer em outros concelhos. Dou o exemplo, por exemplo, do sistema PesioThrow, que Guimarães implementou desde 2016, foi o primeiro município com a implementação de uma tarifa de resíduos associada ao que se produce e não ao consumo de água e o início foi o centro histórico de Guimarães, depois foi alargando numa forma radial E agora será feita uma replicação deste projeto na outra área de conselho.
e também em outros e podem ser sempre em outros municípios.
Depois há outros projetos mais tecnológicos, mais inovadores, mais smart, que quer para a mobilidade, que temos o problema de mobilidade que a maior parte das cidades tem, que é o uso abusivo do transporte individual.
quer para as linhas d'água, na disposição das linhas d'água, nas descargas ilegais. Quer somos uma cidade histórica, mas também somos uma cidade industrial.
Por isso, todos os nossos projetos são analisados através de metodologias, são feitos relatórios e por isso podem ser facilmente replicados, consoante for o território o território nacional europeu.
Conseguirmos ser Cidade Verde Europeia e Capital Verde Europeia em 2026 foi também, exatamente, por uma dessas razões.
Foi por sermos uma cidade idêntica a tantas outras. Porque cidades com 500, 600 mil habitantes temos as capitais. 600 até 1 milhão de habitantes, não é?
Mas temos tantas outras cidades que são até 250 mil habitantes e que nós podemos inspirar e também podemos replicar deles também outros projetos para Guimarães.
[00:25:21] Speaker B: E a dinâmicas até que eu acho que tenho risco a dizer que são perfeitamente possíveis aqui numa cidade de 20 milhões como é que estamos aqui em Istambul. Portanto, obviamente não é endereçar a cidade inteira, mas pelos bairros e por aí fora.
[00:25:33] Speaker C: Nós estamos a fazer, no âmbito da Net Zero Cities, no âmbito da missão das cidades, estamos a fazer, estamos a criar um, criamos um piloto que é o bairro C, que era o bairro da cultura, o bairro do conhecimento, porque tinha lá as universidades, tinha também a área cultural, que era o bairro da cultura, o bairro do conhecimento, o bairro da ciência, mas que agora adotamos também o bairro do carbono e o bairro circular.
que é testarmos vários projetos para que esse bairro seja climaticamente neutro, seja o mais circular possível e com tecnologia e ao mesmo tempo também com inovação, mas também com projetos simples de serem implementados. Como, por exemplo, os quiosques antigos da cidade que, infelizmente, já não se vende em tantos jornais e revistas.
E, então, vamos dotar esses quiosques de projetos de circular. Ou seja, deixar esse espaço para que as pessoas e depois até possam ensinar outras.
Pessoas que saibam bordar, que saibam costurar.
[00:26:40] Speaker B: Ah, então é que transporta para o domínio do conhecimento.
[00:26:42] Speaker C: Que sabem reparar, que sabem...
Que sejam sapateiros, que sabem como pôr sapatos e que possam fazer isso num espaço, na via pública e que possam fazer também formação para determinados núcleos de estudantes para que estas profissões também não se percam no tempo.
[00:27:07] Speaker B: Muito bem, excelente. Realmente é inspirador.
E, de facto, também traz para aqui para a discussão que por vezes não é preciso, não é tudo tecnológico. Portanto, às vezes é uma simples conversa. Certo. Se depressionar em momentos em que podem trocar estas competências que já é algo que tem um efeito muito duradouro. Já falamos aqui várias vezes da capital verde da Europa e agora olhando aqui para o Não digo um lado negro, mas o outro lado que possas eventualmente aventar, que é que estes prémios às vezes implicam aqui, ou implicam frequentemente mudanças e investimentos significativos no tecido urbano. E agora a questão que se coloca é como é que este impulso não vai ter aqui um efeito de ecogentrificação, ou seja, na prática, vamos passar a ter alguns espaços espetaculares, excelentes condições, mas depois consequentemente o imobiliário vai à boleia e fica tudo muito mais caro e as pessoas acabam por involuntariamente, acabam por ter que ficar expulsos e entrar depois no centro. Como é que isso é algo que está a fazer parte aí da população?
[00:28:16] Speaker C: Nós, esta questão da capital verde europeia, até porque também já fomos capital europeia da cultura e cidade europeia do esporte, deu-nos aqui um no-wow um bocadinho importante para pensarmos como é que é a capital verde europeia. E há aqui uma alteração, por exemplo, a cidade europeia do desporto e a capital europeia da cultura são escolhidas as necessidades. Que tenham que ter cultura ou tenham que ter desporto, mas a capital verde europeia é escolhida em três indicadores fundamentais. O passado, o presente e o futuro. Em que o passado é o que vale mais, vale 50%, o presente vale 25% e o futuro vale 25%. Ou seja, não pode ser atribuído a quem ainda não fez nada ou quem quer ainda fazer. Tem que ter já uma quantidade de indicadores, uma quantidade de indicadores mensuráveis que possam testar que aquela cidade Guimarães não é uma cidade verde que só tem pássaros e que não tem problemas. Não, nós temos problemas, nós temos problemas na mobilidade, nós ainda temos descargas ilegais. Mas a capital verde europeia não é para, se não, todas as cidades nórdicas quase ganhariam sempre. É para cidades que tiveram problemas.
para cidades de convivência, para cidades que tiveram problemas e que souberam adaptar-se e serem resilientes e melhorar os seus problemas. E até arranjar soluções inovadoras. Até arranjar soluções inovadoras. Porquê? Porque cidades completamente verdes, cidades sem problemas, cidades sem carros, cidades... não são a maior parte das nossas cidades. A maior parte das nossas cidades europeias precisamente do sul da Europa, mas também do norte.
Menos norte, mas mais meio da Europa.
São cidades que têm indústrias, são cidades que têm carros, são cidades que têm dificuldade em comunicar com a população. Isso é uma grande diferença entre as cidades do sul da Europa Guimarães e as outras todas do Sul da Europa com as de Norte. É que nós conseguimos chegar à população muito facilmente através do porta-a-porta. Nós podemos bater à porta, que as pessoas abrem-nos à porta e muitas vezes os colegas dos países Nortes dizem isso era impossível.
Nunca nos abririam à porta.
E este abrir de porta faz com que haja uma relação próxima.
As pessoas conhecem os técnicos, as pessoas conhecem os políticos, as pessoas sabem onde vão bater à porta também, porque nós vamos deles bater à porta, mas a seguir eles vêm nos bater à porta também a dizer que permitiram-nos isto.
Permitiram-nos que seríamos capital verde europeia.
E o que é que vocês fizeram? Agora. Agora já têm o prémio e pronto.
Não, vão nos bater à porta a seguir, que é o que é que isto vai melhorar.
E cada vez mais, eu acho que a população procura cidades que se viva bem, que sejam ambientalmente saudáveis, que sejam cidades com proximidade aos estabelecimentos, aos estabelecimentos de ensino, às universidades, que tenham tudo perto.
Eu acho que esperemos que a habitação, e não queremos de todo que a habitação suba, ainda mais porque é um problema a habitação, É um desafio do país e também de Guimarães e também de Guimarães.
Neste momento o centro da cidade vai, o Sr. Presidente da Câmara já decidiu, vai retirar, condicionar largamente os veículos no centro da cidade.
Obviamente que estamos aqui a uma luta uma luta saudável entre o comércio e o bem sustentável o comércio que acha que as pessoas retirando os veículos automóveis as pessoas deixam de comprar.
Mas não é verdade, porque se eu for a pé eu tenho que deixar o meu carro mais longe e se começar a chover eu posso ir a um café e já vou consumir.
Se tiver sol vou para debaixo de um tolo e vou ver uma loja que até nem era para ir lá.
E se for de carro para a porta vou apenas comprar num sítio e sigo.
Assim eu vou ter uma visão mais abrangente. Uma visão mais abrangente da cidade e vou encontrar locais que até me tinham passado despercebidos, por isso todos os locais que eu conheço e que conhecemos certamente que tiveram esta luta saudável na retirada e no condicionamento do automóvel acabaram por passar e neste momento são locais com comércio muito melhor e com comércio muito mais competitivo.
E a população acaba por se habituar a andar a pé, porque também faz bem à saúde.
[00:33:21] Speaker B: E também... E já que vem com toda a sensibilidade ao desporto.
[00:33:24] Speaker C: Exatamente, exatamente. Porque as pessoas adoram correr.
Adoram correr, adoram andar de bicicleta. Mas depois não gostam de andar a pé. Que é um bocado... É um bocado... É engraçado.
Mas esperemos que este seja um primeiro passo também para uma alteração de comportamento que todos temos que fazer. Ou andar de transporte público ou andar a pé.
[00:33:47] Speaker B: Muito bem.
E a relação aqui no outro campo, já no que toca ferramentas, será que sentem que falta acelerar alguma mudança, para acelerar o conjunto de mudanças que estão a fazer?
se há algo que falta ou que pode ainda ser melhorado, por exemplo, no financiamento, eventualmente nas competências, porque pronto, já temos aí, estamos a endereçar já muitos domínios e vejo que já há uma abordagem bastante completa, mas eventualmente haverá algum campo que vem que...
[00:34:22] Speaker C: A questão da inteligência artificial, a questão do smart, essa questão é sempre uma questão muito...
muito dinâmica e que ontem já era passado mesmo e que há sempre uma nova tecnologia que aparece e isso acho que é importante que os municípios cada vez mais tenham capacitação nessas áreas para poderem acelerar e para poderem chegar a conclusões porque há muitas plataformas, há muitos cartões smart, há muitas integrações.
e depois há técnicos especializados que sabem quais são as melhores soluções, mas, por exemplo, para nós que somos de outras áreas e que trabalhamos com a inovação e que trabalhamos com a tecnologia, muitas vezes precisávamos ter mais conhecimento que era para podermos também ajudar os nossos colegas da área dos sistemas inteligentes, da área smart, a escolher as melhores opções.
Monitorizar. Cada vez mais é necessário monitorizar. Ninguém vai...
Até há bem poucos anos e sem acharem que eu sou uma dinossauro, que não sou.
Eu quando entrei para o município de Guimarães ainda havia máquinas de escrever.
E não vai assim há tantos anos.
Por isso a tecnologia foi incrementada e fomos alterando procedimentos.
Eu, por acaso, nunca trabalhei com a máquina de escrever porque tive a sorte de já ter um computador.
Mas havia ainda esse... ainda havia isso.
E há muitos funcionários que ainda precisam de cada vez, porque são mais velhos, precisam de se habituar às novas ferramentas e precisam de perceber que as novas ferramentas não são só para os mais novos, que todos conseguimos. Por isso têm que ser fáceis, têm que ser interativas, têm que ser de fácil integração, as plataformas têm que integrar umas nas outras.
[00:36:28] Speaker B: Sim, que é uma coisa que muitas vezes vou-vos das soluções integrarem mas depois a integração ficou numa palavra num powerpoint.
[00:36:39] Speaker C: E o que ouvimos, por exemplo, ontem que o BASE dizia que em 6 horas conseguimos fazer o twinning de 60 dias de trabalho.
Eu posso corroborar isso, porque eu quando entrei para o município de Guimarães fui fazer o levantamento dos circuitos de recolha. E como é que se fazia o levantamento dos circuitos de recolha? Era andar atrás dos circuitos de recolha e fazer no mapa os circuitos e apontar a dizer ao lado o café, ao lado não sei o que, o contentor, e fomos evoluindo.
E agora eu não preciso de nada disso porque há uma ferramenta informática com GPS, uma coisa extremamente simples que me dá todos os dias as rotas se ele acelerou, se não acelerou, se está atrasado, se não está.
Mas para o meu conhecimento não posso dizer que aquilo não foi importante. Ou seja, eu acho que a componente tecnológica é muito importante, mas um conhecimento do terreno também é importante.
[00:37:37] Speaker B: E do negócio também.
[00:37:38] Speaker C: Tem que se juntar as duas funções e a tecnologia tem que nos ajudar.
Nós perdemos muito tempo e a tecnologia se calhar ajuda-nos a ganhar muito tempo.
Estou confiante com isso.
[00:37:53] Speaker B: Sim. Vamos vendo isso na nossa vida privada. Certo. Há muitas coisas que acelerou.
Agora, de facto, há um... Um dos desafios que acabou de dizer é o tema das organizações e de facto há um sociobiologista americano, Wilson, que fala acabar disso, que é o desafio, o nosso desafio coletivo é que temos emoções do paleolítico organizações mediavais e tecnologia adeusada e portanto é uma coisa que realmente... e portanto aqui estas dimensões, as organizações também é um desafio e isso vimos aqui também em Estambul, vimos coisas fabulosas.
tanto patrimónico como no plano tecnológico, mas ao mesmo tempo vimos coisas e também falaram de casos em que determinados sítios tinham conseguido ter três câmaras de videovigilância apontadas para a mesma coisa.
Mas o que acontecia é que uma era de uma área da organização, outra era da outra e da outra...
[00:38:49] Speaker C: A falta de integração entre as organizações.
[00:38:52] Speaker B: Às vezes dentro da própria organização.
[00:38:56] Speaker C: É falta de planeamento.
[00:38:57] Speaker B: Às vezes é preciso guardar um daqueles quioscos para as pessoas da própria organização se encontrarem às vezes e falarem entre eles.
[00:39:04] Speaker C: Isso é muito importante porque nós sentimos essa dificuldade. As câmaras e quase todas devem sentir essa dificuldade que é quase cada departamento trabalha para si só.
E uma das questões que a ação climática veio aqui a alterar foi nós termos criado a equipa Transição Climática. Que é uma equipa multidisciplinar dentro do município que todas as quinta-feiras à tarde se junta para falar sobre o que estão a fazer.
Porque muitas vezes o que acontece e temos, somos cerca de 14 pessoas, à quinta-tarde sempre.
Temos o laboratório da paisagem, temos a coordenadora da estrutura de emissão Guimarães Vinte e Trinta e depois são cerca de 12 técnicos do município das diversas áreas. Da área dos sistemas inteligentes, da área da energia, da área da mobilidade, da área da economia, da área do planeamento, da área do ambiente, da área da estrutura verde, que se juntam apenas para dizer o que é que estamos a fazer, Este projeto vai interligar ao teu. Vamos juntar aqui. Aquele projeto... Ai, esse projeto já não liga com o meu, mas pode ligar com aquele. Ai, eu ouvi que a empresa municipal d'água estava a fazer um projeto por aí.
E fazemos aqui quase um brainstorming.
[00:40:29] Speaker B: A inteligência coletiva.
[00:40:30] Speaker C: A inteligência coletiva.
E que foi a equipa também que apoiou a redação da candidatura à Capital Verde Europeia.
Porquê? Porque já tinha este know-how, já tinha este conhecimento alargado, consegue explicar melhor também e contar a história.
E também foi a equipa que elaborou o Plano Municipal de Ação Climática de Guimarães, por causa deste vasto conhecimento. E continuamos todas as quintas-feiras à tarde, nós nos juntamos.
para saber e para trabalharmos em conjunto, que é um dos maiores problemas dentro das próprias organizações, para não termos duas câmeras de vídeo no mesmo sítio.
[00:41:07] Speaker B: Ou três.
[00:41:08] Speaker C: Ou três.
[00:41:09] Speaker B: Agora gostaria de dar a palavra à Dalila. Algum tema que não tenhamos abordado hoje e que considera que seja particularmente interessante para os nossos ouvintes?
[00:41:22] Speaker C: Eu acho que um dos maiores desafios que os municípios vão ter que passar nos próximos anos serão a descarbonização, de facto. Nós vamos ter que acelerar a descarbonização, acelerar a ligação ao setor privado. O setor privado só se junta ao setor público se achar que tem pode ter algum interesse, porque as empresas e a indústria estão para trabalhar e para comercializar e para fazer e para vender e para olhar para o seu produto e para ver como é que vai melhorar o seu produto e muito bem.
mas eles conseguem estar perto do setor público se perceberem que alguma coisa os vai interessar, que temos algo também para lhes mostrar que também lhes pode ser de interesse. Eu acho que os municípios têm que fazer uma ligação muito mais estreita ao setor privado e não só ao setor da economia, não só ao setor de quero ampliar a minha empresa, não. A toda a política do setor privado.
E a mobilidade, eu acho que as cidades vão passar por graves problemas com a mobilidade, porque cada vez há mais pessoas, até por causa do problema da habitação que falamos, as pessoas cada vez vão viver menos nos centros das cidades, vão viver mais fora das cidades, vão ter que se mover mais.
[00:42:57] Speaker B: Os carros vão ficando mais baratos.
[00:42:58] Speaker C: Os carros vão ficando mais baratos.
E vão criando mais carros, mais filas de trânsito.
Esse vai ser também um grande desafio para as cidades e aí a área inteligente, a área smart é muito importante até para fluxos, analisar fluxos de trânsito, fluxos de saídas, novas... Onde é que é preciso retirar trânsito?
[00:43:29] Speaker B: As pessoas também perceberem onde é que tem oportunidades que geram menos impacto. Exatamente. Porque às vezes passa ao mesmo lado e se calhar tem uma paragem ali a 100 metros, mas se não tem.
[00:43:37] Speaker C: Essa noção...
E em Portugal, principalmente em Portugal, até mais do que no resto da Europa, vamos ter um grande desafio que é o plano estratégico de resíduos até 2030 porque estamos muito longe, mas muito longe de atingir sequer as metas, eu diria que em 2040, quanto mais em 2030. E depois os municípios são muito diferentes na área dos resíduos. Há municípios que estão até a acelerar bastante, que já têm algum no-wow e mesmo assim estão atrás das metas, mas temos outros municípios que quase que não têm técnicos nessas áreas.
e que é preciso ter técnicos, é preciso ou ter consultores, ou seja, mas que se entrenhem nos problemas. Que não sejam feitos planos iguais.
[00:44:30] Speaker B: Sim, para ficar na gaveta.
[00:44:31] Speaker C: Para ficar na gaveta e que sejam iguais em selurico de basto ou selurico da beira.
[00:44:36] Speaker B: Acho que falou aí do tema da cocriação e acho que isso é fundamental, de facto, as pessoas participarem e terem noção do que é que está ali por dentro. De outra forma, de facto, vimos o o presidente da APA há pouco tempo a falar de que estamos a cair sem aterros.
[00:44:51] Speaker C: Exatamente, não temos aterros. É um desafio. Não temos aterros, só temos duas inceneradoras viáveis em Portugal e a Comissão Europeia já não vai dar mais financiamento para inceneração, nem para valorização energética dos resíduos. Temos Porto de Lisboa, temos as associações mecânico-biológicas que requerem uma separação dos orgânicos, E temos muito pouco tempo.
E isso preocupa-me. E deve preocupar a maior parte dos municípios. Porque eu não sei quais serão as...
Sei que há... Consequências. Há consequências. Não sei quais são as consequências em termos de multas da Comissão Europeia. Mas sei quais são as consequências de... Eu não quero uma terra à minha porta. E se continuarmos a produzir a quantidade.
[00:45:40] Speaker B: De resíduos que produzimos, vamos ter que.
[00:45:43] Speaker C: Renovar outra vez o Not in My Backyard, o NIMBY, porque vamos começar a ter que ter a terra de outra vez.
[00:45:51] Speaker B: Muito bem, agora está na altura aqui de um seguimento um pouco mais... Flip the script.
[00:45:58] Speaker A: You are the one asking the questions and I'll be the one answering them.
[00:46:12] Speaker B: E é em que a Dalila faz as perguntas e eu é que respondo, portanto, vamos ver o que é que sai daí. E, portanto, não sei se tem alguma pergunta que gostaria de me fazer? Sim. Boa.
[00:46:27] Speaker C: A Babbel tem-nos ajudado e tem sido uma empresa?
[00:46:32] Speaker B: Sim, uma empresa. Uma start-up.
[00:46:34] Speaker C: Uma start-up.
Que nos tem ajudado mesmo em matérias de financiamento, na divulgação de boas práticas e como é que conseguem? Eu ontem fiquei admiradíssima com eu estar a falar juntamente com Istambul e ao lado de Cincinnati.
Ou seja, como é que conseguem esta ligação ao mundo? Nós estamos muitas vezes só com esta ligação à Europa, mas esta ligação ao mundo é de facto fundamental e eu quero dar-vos os parabéns e perguntar como é que fazem e porque é que acham que é importante esta ligação mais global e não só tão territorial?
[00:47:17] Speaker B: Bem, a Belo Horizonte já existe há 7 anos, apesar de ser uma startup e tem estado a crescer, já somos mais de 50 e de facto, sendo uma spin-off da Fora Nova, portanto tem um pé na investigação e desenvolvimento, a verdade é que depois tem esta relação direta com as cidades e ela nasceu com essa veia, portanto um pouco ligada ao mundo da investigação e portanto com a base europeia, portanto aí desde o início foi participando em muitos projetos europeus e com muitas cidades.
Na prática, à medida que a própria bárbara começou, eram duas pessoas.
O fundador e mais uma pessoa. Entretanto, foi crescendo lentamente.
E, curiosamente, eu acho que, não sei a partir de que momento, mas deve ter sido a partir da vigésima pessoa, é que começou a haver pessoas da mesma nacionalidade.
Porque a verdade é que temos até nacionalidades distintas e, claro, mesmo crescendo de europeus, de locais distintos. E, portanto, isso dá uma noção de território muito distribuída.
E, por outro lado, esta prática dos projetos de base europeia também nasceu com essa vocação.
O que também parece que seja decisivo é o facto de, sendo uma empresa especializada na inovação urbana, Obviamente que não fica presa a duas ou três cidades que são muito entusiásticas, porque sabemos que têm o seu ciclo de vida. Às vezes é a equipa executiva ou até a técnica que são fortes, são os campeões dos temas, mas depois sabemos que ao fim de algum tempo ou mudam de identidade.
e, portanto, às vezes vemos alguns municípios que estão na linha da frente e depois recuam ou passam a ser outros e, portanto, há toda esta dinâmica. E o que acontece na prática é que a Balo consegue estar sempre em relação com as cidades que estão sempre a querer, de facto, romper e inovar um pouco como Guimarães está, obviamente, como Guimarães está a fazer.
E, portanto, tem esta grande vantagem que é estar ligado, é um pouco como vermos já a Fórmula 1. Na Fórmula 1 são ali aquelas dezenas de equipas e mesmo as que ficam para trás não são necessariamente carros lentos e não são equipas valorosas e a verdade é essa. Portanto, temos esta vantagem.
Aliado a isso, de facto, há aqui um momento que eu confesso que não sei quando mas há aqui um momento em que vê-se que esta dinâmica, de facto, não é só europeia.
E, portanto, temos uma colega que está a trabalhar nos Estados Unidos e, portanto, a Smart City Expo que vai acontecer lá tem a nossa participação ativa, assim como tem a da Estelana.
e temos projetos até para o Vietname e portanto há projetos um pouco, há uma cobertura e portanto o mundo é de facto e assim como já tivemos que ir podcast com cidades brasileiras e portanto temos uma noção do globo e a verdade é que os desafios que enfrentamos e de muitos daqueles que falamos hoje são globais e portanto de facto temos que aprender todos e imobilizar este conhecimento, esta vontade e é um pouco por aí que a Bubble também tem essa ligação à realidade.
Obrigado pela pergunta e muito obrigado aqui também por essa participação. Agora que chegamos ao fim tenho aqui de fazer aqui uma última pergunta.
E a pergunta é que fazemos a todos os convidados e também para a Dalila que é o que é para si uma cidade inteligente?
[00:50:40] Speaker C: Uma cidade inteligente é uma cidade onde as pessoas são inteligentes. Primeiro.
dar conhecimento à população é a primeira ferramenta para que a cidade seja inteligente.
Uma cidade inteligente é uma cidade com conhecimento.
É uma cidade que inova.
É uma cidade que recebe bem as pessoas e é uma cidade que se adapta.
e que é resiliente ao território.
É uma cidade que monitoriza, é uma cidade que se torna uma inspiração e que monitoriza para tornar melhor. Não monitoriza só para dizer que temos sensores. A sensorização serve para mudar ou deixar estar se estiver bem.
Mas, principalmente, uma cidade inteligente é uma cidade em que as pessoas gostam de lá viver e têm noção do que é viver numa cidade inteligente.
[00:51:50] Speaker B: Muito bem.
Muito obrigado. Obrigado por teres vindo ao programa. Obrigada. Tens sido a primeira mulher convidada. As primeiras duas edições tivemos uma mulher também que foi a Gretel, mas em uma qualidade intervestidora, e portanto acho que é uma prática que tínhamos que manter. Quando tivemos homens convidados tinha que ser ela. Muito bem.
E parabéns a toda a equipa, porque de facto é um trabalho fantástico que estão a fazer e vou-lhes dar o meu acesso.
[00:52:16] Speaker A: Muito obrigada. Obrigada.
[00:52:17] Speaker C: Obrigada.
[00:52:17] Speaker A: Obrigada, Jorge.